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domingo, 27 de junho de 2021

Livros com representatividade LGBTQIAP+

  


  E, depois de muito tempo sem postar nada aqui no site, estamos de volta com os comentários de domingo! Hoje, como estamos no mês do orgulho LGBT+ (no finzinho dele na verdade), vou falar sobre alguns livros com representatividade que eu amo demais! Separei livros de vários gêneros, então tem para todos os gostos! Só tomei o cuidado de pegar apenas aqueles com finais felizes, porque sabe como é né, na mídia LGBT+ morre mais que personagem do John Green. Alguns deles já tem uma resenha completa no site, e é só clicar nos títulos azuis para acessar, ver mais informações e ler minha opinião completa sobre os livros ;) 





George

    E já vamos começar com um dos meus livros favoritos! “George” conta a história de uma menina que queria interpretar uma aranha numa peça da escola, mas não podia, porque aquele era um papel para meninas e todos achavam que George (ou Melissa, que é o nome que ela escolheu) era um menino. Esse livro tem como protagonista uma das crianças mais fofas de toda literatura, além de tratar de temas muito importantes relacionados a comunidade trans e ter uma história cativante que prende o leitor. Além disso é curtinho, se você é do tipo que devora livros muito rápido vai ler em um dia. Recomendo demais!

           



Rainhas Geek

               Esse livro conta a história de três amigos que vão a uma convenção Geek, e segue a perspectiva de duas delas, Charlie e Taylor. Charlie é atriz, youtuber e está tendo que lidar com o término com seu ex-namorado (também conhecido como um dos personagens mais babacas da literatura), enquanto finalmente conhece Alyssa, uma youtuber pela qual ela é apaixonada. Ao mesmo tempo, Taylor (que por acaso tem asperger, mais pontos para o livro na questão
da representatividade), acompanhada de seu amigo Jamie, está fazendo de tudo para conhecer sua escritora favorita antes de entrar na faculdade.

Nesse livro acompanhamos duas histórias de romance, e as duas são extremamente clichês (nada que você não encontre num site de fanfic), o que eu pessoalmente não gosto muito, mas o resto do livro é tão bom que nem faz diferença. Também é interessante pensar que esse é um dos poucos livros com uma protagonista bi que eu já li onde a trama não gira em torno de se descobrir ou sair do armário, mas simplesmente tem esse elemento como parte da história. “Rainhas Geek" é um livro extremamente leve e gostosinho de ler, recomendo demais para relaxar no fim do dia!

 


Magnus Chase e os Deuses de Asgard

               E vamos de mitologia nórdica nos tempos atuais? Esse livro, escrito pelo mesmo autor que Percy Jackson (clique aqui para saber mais sobre a conexão entre os dois livros), conta a história de Magnus Chase (o primo da Anabeth de pjo), um jovem sem teto que morre e vai parar no Hotel Valhala, uma espécie paraíso dos heróis vikings, onde ele passa por uma longa jornada para impedir o Ragnarok (fim do mundo). No segundo livro da trilogia, conhecemos Alex Fierro, que ficou conhecido/conhecida como uma das primeiras ou um dos primeiros personagens gênero fluido da literatura contemporânea. Alex também é interesse amoroso do Magnus da história, por isso, todo mundo considera ele como pansexual (embora o termo nunca tenha sido usado explicitamente nos livros). 

    É interessante lembrar que esse livro não traz representatividade apenas de pessoas LGBT+, mas também tem personagens surdos, muçulmanos, sem-teto e de diversas etnias. "MagnusChase" é a minha trilogia favorita de livros entre todas da minha estante (só que eu falo para as pessoas que é Percy Jackson, porque nem todo mundo conhece o Magnus), e com certeza merece um espaço nessa lista. Uma história que mistura aventura, mitologia, e é claro, muito humor. Recomendo muito se você gosta dessas 3 coisinhas!


 


Simonverso

               Acho que “Com Amor, Simon” (blarg, ainda não superei terem mudado o nome depois do filme. "Simon vs. A Agenda Homo Sapiens" é muito melhor, mas enfim) seus spinoffs e continuações é a recomendação mais clássica de livro LGBT+ hoje em dia, e não podiam deixar de estar nessa lista! Considerando o sucesso do filme e do livro, imagino que todos já tenham ouvido falar sobre a história do adolescente gay com dificuldades para sair no armário que começa a conversar com um colega anônimo da escola na mesma situação. Essa é a trama do primeiro livro lançado, “Simon vs. A Agenda Homo Sapiens” ou simplesmente “Com Amor, Simon”, um dos meus livros de romance favoritos.

Como uma continuação desse livro, temos “Leah Fora de Sintonia” (o meu favorito dentre esses livros, por sinal), que conta a história de romance entre duas das amigas do Simon, Abby e Leah, que narra o livro. É um romance com todos os clichezinhos de ensino médio (tipo o baile de formatura) mas que usa eles de uma forma tão legal que no lugar de ser só chato e repetitivo, dá toda a mágica do livro.

Além desses dois, temos “Os 27 Crushes de Molly”, o único desse “simonverso” que tem uma protagonista hétero. Ainda assim, temos vários personagens LGBT+, como sua irmã (que é queer e namora uma menina pan) e suas duas mães. Assim como os outros livros, esse livro traz vários clichezinhos de uma forma que não é repetitiva, apenas fofa. Essa história também fala de temas importantíssimos como aceitação do próprio corpo e mudanças nas relações com as pessoas, o que é muito legal.

Para fechar com chave de ouro, temos “Com amor, Creekwood”, que conta, através apenas de e-mails, a vida dos casais de “Com amor, Simon” e “Leah fora de Sintonia” na faculdade, sendo uma ótima maneira de revisitar esse universo. Todos os 3 livros de romance adolescente e o spinoff são muito bons, e recomendo demais que você leia.

 


Garotas de Neve e de vidro

Gosta de livros de princesa e contos de fadas? Se sim, esse livro é pra você! “Garotasde Neve e de Vidro” é uma releitura feminista do conto da Branca de Neve, que conta a história da princesa Lynet (branca de neve) e Mina (a madrasta). Essa nova versão traz vários elementos do conto original, mas cria uma trama completamente diferente, eliminando inclusive alguns pontos mais problemáticos dele (sabem como é, a branca de neve é uma história escrita a séculos atrás, é logico que nem tudo é cem por cento politicamente correto para os padrões atuais).

Uma das principais diferenças é que enquanto na obra original o foco é o romance, aqui o foco é a relação de mãe e filha entre a princesa e a madrasta (duas personagens extremamente bem construídas e com conflitos com os quais os leitores e leitoras com certeza vão se identificar). Falando em romance, no lugar de ficar com um príncipe, a princesa Lynet
tem sua história de amor com Nadia, a cirurgiã do palácio, o que garantiu um lugar especial para o livro nessa lista!

 




Tudo Pode acontecer

Esse é o único livro de hoje que ainda não tem resenha no site, mas se você quiser comenta aqui em baixo que eu posso escrever uma algum dia! Ele conta a história de Tretch, um jovem gay que mora em uma cidade pequena e está apaixonado por Matt, seu melhor amigo. O livro trás muitas reflexões sobre segredos e ser quem você é, e não poderia deixar de estar entre as recomendações de hoje!

 






E essas são as recomendações do dia! Se tiver algum livro com representatividade LGBT+ que você gosta e não apareceu na lista, não esquece de deixar nos comentários do blog e do insta! Vou ficar muito feliz em ver as recomendações de vocês! 


Laura

domingo, 9 de maio de 2021

5 Referencias de Harry Potter a Mitologia Greco-Romana

 

Ontem, no finzalzinho da live que gravei com a minha mãe (se você ainda não assistiu, fico salvo lá no IGTV do Book&Geek!), eu prometi que faria um post hoje no site com um livro citado na live e um tema que a gente comentou, e aqui estamos! O livro citado é Harry Potter, e o tema comentado é mitologia! Duas das minhas coisas favoritas nesse mundo.... Onde estão os fogos de artificio?

Se tem uma saga que é recheada de referências, é Harry Potter. A maioria das criaturas magicas foram inspiradas em mitologias antigas, e alguns nomes da história bruxa (como Nicolau Flameu, que foi um alquimista de verdade) veem de figuras históricas reais. Separei aqui 5 referencias que Harry Potter faz a mitologia greco-romana, baseado nos meus conhecimentos de mitologia e uma rápida busca no Google. Vale lembrar que existem muitas versões dos mitos antigos, então é possível que você tenha ouvido uma história diferente das que vou contar. Se for o caso, isso não quer dizer que algum de nós está errado, apenas que estamos nos baseando em fontes diferentes, então pode deixar aqui nos comentários que eu vou ficar muito feliz em conhecer as suas versões das histórias!

Também vamos deixar claro que eu não sou uma grande pesquisadora das mitologias nem PhD em antiguidade clássica, e a maior parte dos meus conhecimentos mitológicos vem de Percy Jackson. Obviamente, dei uma olhada no Google para garantir que não estou espalhando nenhuma mentira, mas vamos apenas deixar claro que não sou nenhuma dona da verdade aqui. Se você estudou um pouco mais do assunto vou ficar feliz em aprender o que você puder compartilhar nos comentários!

 

 

Fofo

 

Começamos com fofo, nosso adorável cãozinho de três cabeças! Ele foi inspirado em Cérbero, o animal de estimação de Hades (conhecido como Plutão pelos romanos), o deus do mundo inferior. Tal qual Fofo, o animal mitológico também era um cachorro de três cabeças, embora em algumas versões seja retratado com juba e cauda feita de serpentes. Ainda assim, é comum vê-lo representado apenas como um cachorro com três cabeças, igualzinho a versão de Harry Potter.

Imagem de "Fofo", o cão de três cabeças de Harry Potter e a Pedra Filosofal

Assim como Fofo, o cãozinho original também era responsável por guardar uma porta. Só que ao invés de proteger o alçapão que levava até a pedra filosofal, ele defendia o portão para o mundo dos mortos!

 




Centauros da Floresta Proibida
 

Lá vem mais uma das criaturas mágicas do Wizarding World que foi baseada na mitologia! Apesar de esses seres serem retratados como calmos e sábios, na mitologia tradicional eles estavam mais para.... Como posso dizer? Baladeiros mucho locos.

Apenas um dos centauros tinha a sabedoria em comum com os dos filmes/livros: Quíron que foi o mentor de vários heróis, incluindo Aquiles, Héracles (você provavelmente conhece esse pelo nome romano, Hércules), Peleu, Teseu, Jasão, Percy Jackson.... Assim, conclui-se que os centauros da floresta proibida foram inspirados em Quíron.

 

O Nome do Remo

Imagem de Rômulo e Remo sendo amamentados pela loba

Segundo as crenças tradicionais romanas que contam sobre a fundação do famoso Império, existia um reino chamado “Alba Longa”, que era governado pelo rei Numitor. Amúlio, irmão de Numitor, tomou o trono de seu irmão e o prendeu, assim como sua filha, Rea Silvia. Foi então que Marte (conhecido como Ares pelos gregos), o deus da guerra, se apaixonou por ela. Eles tiveram dois filhos, um chamado Rômulo e outro chamado, adivinhem só, Remo.Quem não ficou muito feliz com isso foi Amúlio, que tinha medo de que as crianças tomassem a coroa algum dia. Como uma solução nenhum pouco psicopata para esse problema, ele taca os bebes-sobrinhos-semideuses no rio Tibre. Sabe se lá como, eles não morreram. E sabe se lá como, eles foram amamentados por uma loba. E é por isso que justamente o amiguinho lobisomem do Harry Potter se chama Remo.

    Continuando com o mito, um camponês encontrou os bebes com a loba. De algum modo, não me perguntem como, o cara sabia que se tratavam dos futuros reis, e decidiu cria-los. Quando descobriram sobre suas origens, eles conseguiram reaver o trono. Ai eles tiveram uma briguinha de irmãos que resultou em Rômulo matando Remo (sim, o Remo morre até na mitologia romana), e se tornando o primeiro governante do então reino (que depois virou uma república que depois virou um império) romano.

Apesar de não existir nenhum irmão do Remo em Harry Potter, no último livro, quando participa de uma rádio secreta da ordem da fênix, Remo utiliza o apelido Rômulo para esconder sua verdadeira identidade. Assim, tanto o nome quanto o apelido do sr. Remo Lupin foram baseados na mitologia romana.

 




Aragogue
 

A aranhona da floresta proibida também pra lista das referências a mitologia. Segundo o mito grego, Aracne era uma jovem tecelã, e a melhor em sua profissão. Um dia, ela ousou se proclamar melhor que a deusa Atena, deusa da sabedoria e inventora do tear. Furiosa, a deusa a desafia para um duelo de quem-faz-a-melhor-tapeçaria. No final, mesmo declarando empate, a Deusa decide punir Aracne de qualquer jeito por insulta-la.

O que ela faz? Transforma a moça numa aranha gigante (igual ao sr. Aragogue), em alguns mitos considerada a primeira aranha, para que ela possa exercer sua profissão com fios pelo resto da vida. Na competição os mortais torceram por Atena, e reza a lenda que é por isso que humanos e aranhas não se dão bem. Seja como for, as aranhas gigantes da Floresta Proibida vieram da Mitologia Grega.

Imagem de "Aragogue", de Harry Potter e a Câmara Secreta



Nome da Minerva

 

Lembra de Atena do item inferior? Bem, “Atena” era o nome grego dela. Para os romanos, a deusa se chamava Minerva. Nossa querida Professora Mcgonagall teve a honra de ser nomeada em homenagem a deusa romana da sabedoria e das artes! Assim como a deusa, a professora Minerva era retratada como uma mulher extremamente sábia. Tal qual Remo, o nome dela também é uma herança dos antigos romanos!

 




 

Bom, como um pouco mais de tempo e pesquisa, eu poderia ficar o dia inteiro aqui citando referencias de Harry Potter a mitologia greco-romana. Alias, não é só nos gregos e romanos que esses livros se inspiram! O nome da cobra de Voldemort, Naguini, por exemplo, foi baseado nas antigas crenças hindus (fica de bônus ai). Decidi fechar a lista em 5 itens, para não passar dos limites, mas se você conhecer mais alguma referência, fique a vontade para comentar aqui no site ou no insta! De repente posso fazer uma parte dois algum dia... Mas por hoje é só :)



Laura

domingo, 25 de abril de 2021

Top 3 Melhores Adaptações Cinematográficas


    Adaptações cinematográficas.... O sonho de muitos leitores, mas também seu maior pesadelo. Sonho porque muitas vezes o que mais queremos é ver nossos amados livros nas telonas! Quem nunca ficou imaginando como seria uma adaptação do livro enquanto lia? E pesadelo porquê.... Bem, porque em 90% dos casos o filme fica horrível e não tem nada a ver com o livro. Já estamos cansados de exigir adaptações mais fiéis!

Tem tanto para falar sobre o tema que fizemos até uma live no instaram ano passado (clique aqui para assistir), mas no comentário de hoje, decidimos ser otimistas e indicar algumas das poucas vezes em que esses filmes foram sonhos e não pesadelos! Com vocês, meu top 3 de melhores adaptações cinematográficas:

 

3° lugar: Com Amor, Simon


Capa do Filme Love, Simon
    O terceiro lugar vai para “Com Amor, Simon”! Para quem não sabe, esse filme conta a história de um adolescente gay com dificuldades para se assumir. Na internet, ele começa a trocar e-mails com Blue, outro jovem de sua escola que está passando pela mesma dificuldade. Os dois estão completamente apaixonados um pelo outro, mas suas identidades permanecem em segredo.

A adaptação não é completamente fiel ao livro: MUITOS detalhes foram alterados. Por exemplo, enquanto no livro os protagonistas mal seguravam as mãos em público, no filme eles se beijam numa roda gigante com a escola inteira aplaudindo. O livro tem um ar mais realista, enquanto o filme tentou seguir um caminho mais “conto de fadas”. Ainda assim, mesmo tendo vários detalhezinhos (alguns bem importantes) modificados, acho que no geral o filme conseguiu captar a essência do livro. Na falta de adaptações completamente fiéis, “Com Amor, Simon” leva o terceiro lugar por manter a trama geral e ser tão emocionante quanto o livro em que é baseado!

 

2° lugar: Harry Potter (exceto o 6° filme)


Capa do filme Harry Potter e a Ordem da Fenix
        E os filmes do Harry Potter entram no pódio como as segundas melhores adaptações que eu já vi! Menos o sexto filme, é claro, porque eles cortaram as partes mais relevantes da história. Se você vive em uma caverna e não conhece Harry Potter, essa é uma história sobre um jovem que mora com os tios. Aos 11 anos ele descobre que seus pais não foram mortos num acidente de carro como ele pensava: eles foram assassinados pelo maior bruxo das trevas de seu tempo. Assim, Harry é convidado para estudar na escola de magia e bruxaria de Hogwarts, onde faz novos amigos e vive suas próprias aventuras numa saga de 7 livros, 8 filmes e uma peça de teatro.
     Não vou mentir: Harry Potter foi a primeira adaptação cinematográfica que eu odiei na minha vida. Sou fã dos filmes desde os 3 anos de idade (acho até que HP é uma das sagas que mais me marcou). Lá pelos 9 ou 10 anos eu finalmente li os livros e entrei numa das fases mais insuportáveis da minha vida: toda vez que eu via os filmes era para criticar cada detalhezinho que não fosse idêntico ao livro. Cheguei ao ponto de que se você me dissesse que era potterhead e nunca tivesse lido os livros, eu ia responder que você não é fã de verdade porque Harry Potter é uma saga literária.

Capa do filme Harry Potter e a Câmara Secreta
     Felizmente (ou infelizmente), um tempo depois eu descobri o que era uma adaptação ruim de verdade. Pois é, se os filmes do Percy Jackson fizeram alguma coisa de bom foi me mostrar que as adaptações de Harry Potter não são tão ruins assim. Hoje em dia, eu reconheço que os filmes do nosso jovem bruxinho são incríveis, e gosto muito de todos eles. A exceção do 6° filme, eles conseguem captar as partes mais importantes da história, e a melhor parte é que a personalidade dos personagens permanece intacta. Considerando tudo, os filmes do Harry Potter são extremamente merecedores do segundo lugar!

 



1° lugar: Jogos Vorazes



E o grande Prêmio das Adaptações Cinematográficas vai para.... Jogos Vorazes! Introdução para os leigos: essa distopia trata de um país com 12 Distritos subordinados a uma Capital tirana, que todos os anos promove os jogos Vorazes, um evento onde dois adolescentes de cada distrito são jogados em uma arena para lutarem entre si até que apenas um saia vivo. Katniss, a protagonista, se voluntaria para participar dos Jogos no lugar de sua irmã, e acaba por começar uma revolução.

Capa do filme Jogos Vorazes A Esperança O Final

Embora os filmes não consigam transmitir todos os detalhes presentes nos livros e acabem por cortar algumas subtramas interessantes, eles acrescentam outros detalhes pertinentes para a história, como as cenas que mostram a perspectiva do presidente Snow, impossíveis no livro narrado em primeira pessoa pela Katniss. Os filmes agem como um complemento perfeito para a maravilhosa saga literária.

Se você chegou aqui achando que eu ia recomendar um filme que substituísse seus livros, está completamente enganado. Realmente não vale a pena assistir Jogos Vorazes para deixar de ler os livros. Como eu já disse, um complementa o outro. Se você só viu os filmes, recomendo que leia os livros, e vice-versa!

 

 

E essas são minhas adaptações favoritas no momento. Sei que devo ter deixado muitos filmes bons de fora, já nem sempre eu vejo o filme e leio o livro. Então, se você tiver alguma recomendação legal, deixa aqui nos comentários! Inclusive, se vocês gostaram desse texto, posso fazer uma parte dois com as piores adaptações que já assisti... Caso você queira essas parte dois, aproveite para seguir o site e comentar aqui em baixo para eu saber que você gostou. Também não esqueça de curtir, comentar, compartilhar e salvar o post do insta, isso realmente ajuda meu trabalho! Obrigada por ler, nos vemos no próximo domingo!


Laura

domingo, 7 de março de 2021

PERSONAGENS QUE TODO MUNDO GOSTA... MENOS EU

Hoje é dia de polêmica aqui no Book&Geek! Pois é… Eu queria muito fazer uma lista dos personagens que eu mais odeio, como a Umbridge (Harry Potter) ou o Octavian (Heróis do Olimpo), mas então eu pensei: “Qual é a graça? Ninguém gosta da Umbridge ou do Octavian”. Por isso, vamos deixar as coisas um pouco mais interessantes: resolvi fazer a lista dos personagens que eu odeio, mas só com aqueles que as pessoas gostam. Espero que valha a pena, porque vou ter que sair com colete a prova de balas depois dessa...

Mas lembre-se: essa é só a minha opinião, e você tem todo o direito de discordar. Se você gostar de algum personagem da lista, deixe aqui nos comentários qual e porquê! Vamos discordar respeitosamente. Também vale lembrar que isso é o que eu penso dos personagens, e não necessariamente as outras integrantes do b&g concordam comigo também!

Como pretendo explicar por que não gosto de cada personagem, vou acabar tendo que incluir alguns spoilers no texto. Mas pode ler sem medo, sempre que tiver algum spoiler que eu considere mais pesado, vou colocar um aviso.

Tendo dito isso, vamos a lista:


Tiberias Calore, ou Cal, para os íntimos (Rainha Vermelha)

O que dizer sobre o Cal? Não nego que a construção de personagem dele é bem desenvolvida, e que ele evolui muito ao longo dos livros. Ele é realmente colocado de forma interessante, e toda trama até que (spoilers! Quem não leu os últimos livros de A Rainha Vermelha, corre enquanto dá tempo e pula para o próximo parágrafo) ele finalmente renuncia a coroa prova que as pessoas podem mudar.

Mas isso, é claro, não me impede de achar ele insuportável. Mesmo que inconscientemente, ele sempre colocou os prateados acima dos vermelhos (uma breve introdução para quem não leu: no universo da rainha vermelha, existia uma sociedade dividida pelo sangue, as elites prateadas, que possuíam poderes mágicos, e as pessoas vermelhas, comuns). Matar prateados para ele parecia horrível, e até aí, tudo bem. Matar pessoas é horrível mesmo. Mas pensar isso ao mesmo tempo que você manda vermelhos para as batalhas sem medo de sacrificar as vidas deles? Me poupe.

Isso sem contar que ele só se aliou a guarda escarlate porque tinha crush na Mare. E quando (mais spoilers! Novamente, quem não leu, pula para o próximo parágrafo) ele aceita a coroa, o conflito dele não é entre os valores que foram ensinados a ele desde pequeno e os direitos iguais vermelhos. Ele ficou em conflito interno entre ser rei ou ficar com a Mare (e acho que já deu para perceber que marecal não é um dos meus ships favoritos).

Isso sem falar de como aquele moleque era indecidido. Era muito chato. O Cal foi treinado a vida inteira para ser rei, e ainda assim não conseguia tomar nenhuma decisão direito. Pois é, se eu encontrasse com o Cal na rua, reclamava mais que a Cameron com ele (deve ser por isso que eu gosto tanto dela).


Aspen Leger (A Seleção)

Sei que não devo ser a única que odeia o Aspen, porque “A Seleção” é um livro sobre triângulo amoroso, e ele está em uma das pontas. Acredito que tenha muito Team Maxon por aí que odeia o Aspen também. Mas ainda assim tem bastante gente que gosta do Aspen, então decidi que ele era digno de entrar para essa lista.

Primeiro quero deixar claro que não odeio ele só porque sou Team Maxon. Eu não odeio o Gale porque sou Team Peeta (Jogos Vorazes), ou a Rachel, a Calipso, o Nico e mais um milhão de personagens que tem crush no Percy só porque shippo percabeth (Percy Jackson). Se eu não gosto do Aspen, é porque ele é chato mesmo.

Ele tinha essa mania meio sexista de querer ser o provedor, sabe? Ele morrendo de fome, gastar moedinhas com ela estava tudo bem. Agora ela gastar dinheiro em um encontro com ele? Absurdo. Ele é o tipo de homem que não aceita dividir a conta, e isso me irritava muito.

Eu também não gostava quando ele, mesmo tendo superado a América, ainda ficava insistindo em lutar por ela. Lembro de ele dizer algo sobre lutar por ela ser um “instinto dele”. Era para isso ter soado romântico, mas pessoalmente eu só achei sem noção mesmo. Se tu não gosta mais dela, para de insistir e dá a chance dela te superar também! Pelo amor de deus.

E talvez, só talvez, eu esteja sendo um pouquinho injusta com ele. Desde que eu li os livros eu achei ele meio chato, mas tem uma amiga minha que insistia em me shippar com ele por alguma razão desconhecida. Se isso tudo não tivesse acontecido, eu ainda não ia gostar dele, mas talvez não odiasse ele tanto assim.


Luna Valente (Soy Luna)

Sabe, acho que essa é a personagem que mais merece estar nessa lista. O Cal e o Aspen eu sei que não sou a única que não gosta. Mas a Luna? Nunca vi outra pessoa que se irritasse tanto com ela quanto eu.

A minha questão com a Luna é que ela tem muito do que eu chamo de “privilégio de protagonista”. Já viu pessoas criticando a Sierra, de “Sierra Burges é uma Loser” porque ela faz muita coisa errada e não sofre penalidade nenhuma por isso? É exatamente assim que me sinto com relação a Luna.

O ápice é quando ela invade uma pista de patinação (ou seja, uma propriedade privada) sem autorização dos donos para gravar um vídeo lá da equipe de patinação. Ela não sofre penalidade nenhuma. A equipe adversária de patinação, os Red Sharks, era colocada com “cruel” porque ameaçou dedurar ela. A equipe dela comete literalmente um crime e os outros que estão errados por dedurar? Os Red Sharks fizeram várias coisas horríveis, mas ameaçar denunciar um crime não é uma delas. 

Sabe o que o Avô da Luna fez quando descobriu a história da invasão? Riu e disse que tava tudo certo. Cometer crimes e sair impune. É esse o tipo de exemplo que queremos passar para as crianças? (e vou abrir um parênteses para acrescentar que falei “crianças” porque a série é da Disney, que tem um público alvo majoritariamente infantil, e é livre para todos os públicos. Ainda assim, temos, naturalmente, muitos adolescentes e até adultos que assistem. Eu destaquei a parte das crianças porque filmes infantis precisam deixar explícito o que é certo e errado, considerando que foram feitos para o entendimento de uma criança).

Eu só segui assistindo essa série por causa dos outros personagens, tipo a Nina e o Simon, que são incríveis, ou a Ambar, que tem um arco de redenção interessante na última temporada. Eles que faziam a série valer a pena. Se dependesse só da Luna, eu largava.


E esse foi o Comentário de Domingo de hoje! O que vocês acham dos personagens que eu falei hoje? Gosta deles? Se também não gosta, deixe seu comentário para eu saber que não estou sozinha! E se gosta, comenta aqui o porquê, talvez você possa me fazer mudar de ideia!

Laura



domingo, 28 de fevereiro de 2021

MEUS PERSONAGENS FAVORITOS DE GREY'S ANATOMY

          Eu amo Grey’s Anatomy, foi e ainda é minha série favorita da vida. Eu amo os atores/personagens, os dramas e as músicas. A única parte que não gosto são as mortes, elas me fazem chorar muito e algumas nunca vou superar. Essa série gigantesca nos ensina muito e faz críticas incríveis e perfeitas em alguns episódios. Grey’s Anatomy me fez querer ser médica, cirurgião geral especificamente, mas eu já mudei de ideia.

            Hoje eu vou listar alguns dos meus personagens favoritos dessa série perfeita e tão aclamada. Vamos lá:

            Addison Montgomerry

         Ela é icônica, tão icônica que ganhou um spin-off: Private Practice (eu quero e preciso muito assistir). Eu amo o fato dela ser uma mulher incrível e poderosa, mas também sofrer e ser sensível. Ela luta pelo que ela quer. P-E-R-F-E-I-T-A.  Meu sonho é ser amiga dela, Kate Walsh me nota. Temos que enaltecer essa ruiva!

         Mark Sloan

            Saudades dele, essa morte eu nunca vou superar. Por que ele não teve um final feliz? Eu amo o nosso eterno McSteamy. Ele era um pai incrível, engraçado, um cirurgião maravilhoso, lindo e talarico. Como ele poderia estar fora da minha lista de melhores personagens?

            Lexie Grey

            Outra morte insuperável! Ela e o Mark, repito, mereciam um lindo final feliz digno de contos de fadas. A Lexie foi uma das melhores personagens, ela era fofa, e tinha memória fotográfica. Impossível não amar ela, Lexie é um ser de luz muito amável! Saudades da Lexipedia.

            Amelia Shepherd

         Deixei a melhor para o final. Minha personagem favorita de toda a série. Eu amo a atriz, e a personagem. Eu acho a Amelia uma das personagens mais inspiradoras e fortes da série. Eu peguei a pose do herói para a vida, já usei em várias situações. Ela é a ovelha negra da família e sofreu demais durante toda a vida, mas ela é tão amável e maravilhosa, uma cirurgiã incrível e uma heroína que lutou pelo seu próprio espaço. EU AMO ELA!

 

Esses são alguns personagens que eu amo em Grey’s Anatomy. Espero que tenham gostado, e deixem nos comentários quais são seus personagens favoritos.

Vitória



domingo, 21 de fevereiro de 2021

O Lorax: uma análise do filme infantil que todos deveríamos ver

Esse foi um dos meus filmes animados favoritos quando eu era pequena, e hoje, decidi voltar e analisa-lo, depois de anos. Diferente de outras coisas que eu assistia quando era criança e acabei parando de gostar (cof cof, Bela Adormecida), continuo achando “O Lorax” incrível, e todas as lições que ele ensina realmente valiosas.

Vamos a uma pequena sinopse do filme? Ted vivia em Thneedville, uma cidade de plástico, onde todos eram felizes, mas tinha um grande problema: não existiam arvores. O menino adolescente era apaixonado por Audrey, uma aluna de Ensino Médio amante da natureza, que sonhava em conhecer uma arvore de trufula

Para impressionar a crush, ele segue uma pista da avó, que o levariam ao único homem que realmente sabe o que aconteceu com as arvores. Esse homem, o Umavez-ildo (sim, esse era o nome do personagem, você não leu errado), era o culpado do desaparecimento das árvores, e durante o filme, conta sua história para o Ted, criando um enredo dividido entre duas linhas do tempo: a do Ted, tentando conseguir uma arvore, e a do jovem Umavez-ildoo que ele fez para que elas acabassem.

A história foi feita para crianças, e traz uma estética colorida e alegre, acompanhada da moral ética sobre sustentabilidade.  Seja você uma criança, um adolescente ou um adulto, recomendo muito que assista esse filme, por conta dessa mensagem tão relevante e tão debatida nos dias atuais que ele traz.

Depois desse mini resumo, vou fazer minha analise com spoilers do filme, então, caso ainda não tenha assistido, recomendo que o faça antes de voltar aqui, porque isso vai ser essencial para o entendimento do comentário. Caso já conheça o filme, convido você a ler a minha análise:

 

Em Thneedville, mais um dia vai raiar

Bom, vamos começar falando sobre a cidade: dês de a primeira música, podemos ver como os habitantes de Thneedville são extremamente alienados, ignorantes e facilmente manipuláveis. Afinal, eles não vivem em uma cidade perfeita? Não é tudo muito colorido? Eles têm mansões e carros de impressionar! Eles têm onde estacionar! Os caras andam de esqui na rua! Em que universo isso não é um paraíso?

E daí que o ar não é bom? Eles podem comprar. No mundo colorido e infantil deles, isso é simples e fácil. Está tudo resolvido, e tudo perfeito. Não tem porque sair da cidade, não tem porque não amar a cidade, não tem porque não questionar a cidade. E sempre assim vai ser.

Na minha opinião, Thneedville representa a prisão de ignorância que nós e a sociedade construímos para nós mesmos, como uma falsa ideia de mundo onde tudo é perfeito e todos são felizes. Um estado de espirito onde somos facilmente manipuláveis, presos na nossa própria inocênciaOnde ignoramos todos os problemas. Fugir dessa prisão, sair de Theneedville, é fugir dessa inocência, mas também é se tornar menos manipulável. Fora da cidade, existe o mundo real, onde tudo não é falsamente perfeito. Fora de lá, o mundo é cinza. 

A primeira visão do Ted fora da cidade é um monte de árvores cortadas, e isso é chocante para ele. Mas quantas arvores existem em Thneedville? Tantas quanto do lado de fora. A única diferença é que fora da cidade falsa e de plástico o problema é perceptível, enquanto lá dentro isso é mascarado pelas cores da cidade. No fundo, Thneedville é tão perfeita quanto aquele pedaço de campo desflorestado.

E foi por isso que O’Hare se desesperou tanto com a perspectiva de alguém saindo da cidade, mesmo que fosse só um adolescente. Agora fora da fantasia de Thneedville, Ted se tornou menos manipulável e mais consciente dos horrores da cidade.

 

O Ar está à venda

Achei essa uma sacada particularmente interessante do filme. Sinceramente, não duvido que algum dia surja alguma empresa como a do sr. O’Hare, comomultinacional vendendo ar-puro e poluindo ainda mais o ar no processo, colocando a população em um ciclo vicioso de consumo. 

Essa parte do filme inclusive me fez lembrar de algo que um professor me disse uma vez, sobre a infância dele. Um homem mais velho, logicamente, que mencionou que na época dele, a água costumava ser gratuita. Tal qual o ar no filme, a água é um elemento básico para a sobrevivência, que já foi gratuito um dia, mas na atualidade custa dinheiro.

“O Lorax” é uma obra que foca exclusivamente na cidade de Thneedville e a ex-floresta ao lado, e não temos ideia do que aconteceu no restante do mundo. O que não nos impede, é claro, de imaginar o cenário internacional nesse contexto de ar a venda, por que duvido que uma empresa tão importante quanto aquela conseguisse prevalecer focando em uma cidade apenas. Nesse contexto global, acredito que passaríamos a ter países com crise de ar puro tento quanto temos países com crises de água, e tantas pessoas sem ar quanto temos pessoas passando fome.

Resumidamente, o ar puro é um direito básico do ser humano. Não podemos deixar que acabe se tornando um recurso pago no mundo real tal qual ele é no universo do filme, ou tal qual aconteceu com a água.

 

Família e Sociedade

Neste tópico, como nós acompanhamos duas gerações nas linhas do tempo diferentes do filme, decidi analisar cada uma delas separadamente. Na geração do Ted, vamos perceber como cada um dos personagens lidou com a questão das árvores, e na de Umavez-ildo, vamos entender um pouco dos pensamentos da família dele, e como isso influenciou suas escolhas.

Geração do Ted

Aqui, dês de a música de abertura, já vemos que quase todos estão tão presos ao círculo de manipulações doentios do sr. O’hare, mesmo que a maioria dos protagonistas sejam aqueles que escapam a ela. Dentro da família de Ted, a mãe é a maior representante do senso comum da sociedade: O jeito que ela fala sobre arvores naturais representa o que a grande maioria pensa naquela cidade, provavelmente alimentadas por Fake News disseminadas pelo sr. O’Hare (falaremos disso mais para frente). Para ela, arvores são só “um pedaço de madeira sujo e feio que fica saindo do meio da terra”, e creio que ela não tenha nenhuma noção de como a existência de arvores poderia diminuir a “conta de ar” dela.

As únicas pessoas da cidade que parecem discordar são a Avó e a Audrey, as duas “loucas”. Na mesa de jantar, quando a avó compartilhava suas antigas histórias sobre as arvores, ela era a velha gaga. Já a Audrey, quando fala sobre as arvores com o Ted, logo solta um “Você deve me achar louca”, o que significa que ou ela foi chamada de louca por outra(s) pessoa(s) anteriormente ou que os pensamentos anti-árvore da sociedade estão tão enraizados (desculpe pelo trocadilho ruim) nela que ela mesma se considera louca. Provavelmente as duas coisas. 

E assim a sociedade de Ted funcionava: ou você pensa igual a todos, como a mãe, ou você é uma louca. E acho interessante terem colocado as loucas como uma mulher de idade, ou seja, que tem experiência, e uma aluna de ensino médio, ou seja, uma estudante. Se fosse apenas uma delas, poderíamos culpar a falta de experiência da Audrey ou a desatualização da Avó, mas vemos claramente que nenhuma dessas coisas é o problema. Na verdade, aquela cidadezinha que se finge utópica chama a experiência e o estudo de loucura.

 

Geração do Umavez-ildo

Dizem que os vilões não nascem, mas são criados. Com nosso vilão-protagonista Umavez-ildo, não é diferente. No caso, acho que a vilania dele foi criada de uma combinação da pressão da família e da sociedade para que ele seja “alguém na vida”.

Bom, podemos começar pela parte de que a família do Umavez-ildo é inegavelmente tóxica. Quando ele vai bem, todas as críticas deles foram só para motiva-lo”. Quando vai mal, todos já sabiam que ele é um fracasso. A própria mãe chega a eleger filhos favoritos, o que é um comportamento absurdo vindo da pessoa que deveria estar lá para todos os filhos igualmente. Vemos o desespero dele para impressionar a família quando ele que considera quebrar a promessa que fez ao Lorax de não cortar asárvores só para impressionar a mãe.

Agora, vejamos a pressão imposta pela sociedade. Eu falei no parágrafo desse tópico que a família só é gentil com ele quando ele “vai bem”.  Mas o que significa ir bem? Aqui temos outra crítica clara a nossa sociedade. Des de sedo, todos sofremos muita pressão para “ser alguém na vida”. Passar em um vestibular. Ter um emprego fixo. Criar uma invenção milionária. Ter sucesso financeiro.

Em nenhum momento se espera que o indivíduo seja gentil, maturo, empático, altruísta, emocionalmenteequilibrado, sustentável, etc. O único sucesso que a sociedade, tal qual a família do Umavez-ildo cobram, é o sucesso financeiro a qualquer custo. Lógico, vivemos em um mundo capitalista, e para sobreviver, precisamos sim de sucesso financeiro. Só que tem uma linha tênue que separa trabalhar para se sustentar em uma sociedade de querer ser rico a custo de uma floresta inteira.

 

O Lorax, o Irritante

Sabe aquela clássica cena de filme em que aparece um anjinho em um ombro da pessoa e um diabinho em outra? Se a família do Umavez-ildo era o diabinho, então o Lorax era o anjinho.

Durante o filme, o Lorax funciona como a consciência ambiental do Umavez-ildo. Na primeira vez que cortou uma árvore, Lorax ainda não tinha aparecido, tal qual seu entendimento de como suas atitudes eram improprias. Na primeira vez que cortou uma árvore, foi por pura ignorância. E então apareceu o Lorax.

Des de o começo até o fim, Umavez-ildo se refere ao Lorax como irritante. Isso porque Lorax foi quem colocou a consciência do peso de suas atitudes na mão dele. A partir de agora, ele não era um desavisado, mas uma pessoa plenamente responsável pelos próprios atos. E isso é irritante. Ter responsabilidade é irritante, principalmente quando tende ao lado de admitir a própria culpa.

Quando a consciência bate à sua porta, o primeiro instinto é em tentar enganar a si mesmo, dizer que o seu erro não é tão grande assim. É exatamente isso que ele faz quando conhece o sr.  Bigodinho laranja: joga a culpa em outros, tenta invalidar a própria atitude, tenta se justificar. Às vezes, tentamos nos convencer de coisas sem fundamento apenas para ter a consciência tranquila.

Depois que superou a fase da negação e entendeu o problema, Umavez-ildo faz a promessa de não cortar mais arvores. E ele teria cumprido, se não fosse pelas questões mencionadas no tópico sobre a família dele. E de novo, quando se vê em conflito com a própria ética novamente, ele tenta achar desculpas infundadas mais uma vez, sendo a primeira frase dele quando concorda: “não haveria problema em derrubar só algumas arvores” (como se desse para manter uma empresa inteira derrubando só algumas né). Nessa fase da história, ele ignora ao Lorax, e ignora a própria consciência, mas vamos conversar disso no próximo tópico, avaliando uma das minhas músicas favoritas do cinema infantil.

Décadas depois, no finalzinho do filme, quando ele finalmente ajuda o Ted a salvar as árvores passando a semente a diante, ele finalmente fica de bem com o Lorax. Mas mais que isso: ele fica de bem consigo mesmo. Só podemos imaginar o que ele pensava nos anos que separam a geração dele da do Ted, mas de uma coisa podemos estar certos: esse foi um tempo de amargo arrependimento e de repensar as próprias atitudes, finalmente parando de inventar argumentos sem fundamento para justificar os próprios erros.

 

Será que eu sou tão ruim assim?

Lembra do que falei no tópico anterior sobre inventar argumentos baseados em nada para se justificar e ficar de bem com a própria consciência? Em outras palavras, manipular a si mesmo? Vemos toda essa questão de se manipular representada nessa música. Ele sabia que era ruim, mas não admitia. Preferia se enganar com mentiras bonitas, sair por ai de óculos de sol e sorriso no rosto dizendo que ele estava só fazendo o que é bom para ele, que esse era o seu destino, a lei da natureza, lei dos negócios, e o mais interessante: “para que reclamar se isso nunca vai mudar? ”.

O que me chama mais atenção nesse último argumento é que eu já me vi usando ele em vários momentos. Lógico, não sou uma empreendedora grande e poderosa como Umavez-ildo, mas já usei essa justificativa rasa e conformista para vários aspectos da minha vida: para que tentar estudar todo dia se eu sei que não vou ser capaz de fazer isso? Para que tentar me adaptar ao EAD se eu simplesmente não vou conseguir? Para que reclamar se isso nunca vai mudar?

E convenhamos, esse é um argumento horrível. Não adianta reclamar porque isso nunca vai mudar. Reclamar é o primeiro passo para mudar, então é quase dizer: porque mudar se isso nunca vai mudar? Porque mudar se eu não vou mudar? Gente, isso é um argumento tão profundo quanto “porque não”.

Esse filme e seu protagonista-vilão trazem uma mensagem sobre pôr a mão na consciência. Nós podemosmudar. Nós temos escolha. Se escolhermos ser ruins, é nossa culpa, e não das leis da natureza ou dos negócios. 

Cada um de nós pode ser só uma pessoa no que se trata de preservar a natureza, mas ainda assim temos o poder de evoluir individualmente e influenciar o próximo a fazer isso também. Se quer viver num mundo que age diferente, comece você mesmo a fazer isso. E isso não vale só para a sustentabilidade, mas para muitos campos da vida.

E então a música acaba, e lá está Umavez-ildo, encarando uma maquete de Thneedvile, a falsa cidadeperfeita. Sua construção. Sua armadilha colorida e artificial, com os muros impedindo de perceber ao real problema.

E aqui ele tem mais um confronto com Lorax, onde ele solta novamente seus argumentos infundados. Até que ele finalmente encara o que fez, e vê a última arvore da floresta sendo cortada, e os animais, incluindo o barbaludemais próximo dele, fugindo. E só agora ele percebe o mal que fez: quando é tarde demais para mudar alguma coisa.

 

Manipulação e Fake News

Depois de falar sobre as manipulações internas de Umavez-ildo, vamos analisar a manipulação num contexto maior, em toda a sociedade de Ted. Já falamos de como a cidade de Thneedville representa um estado de ignorância que deixa os indivíduos altamente manipuláveis, e já percebemos como a sociedade agia de acordo com as árvores. Agora, vamos falar de como sr. O’Hare, o vilão até o fim da história, manipulava a cidade.

Claro, na época em que o filme foi lançado (2012) o tema Fake News não era o foco dos debates populares, mas ainda assim, acho que o filme acabou representando um pouco do tema. O sr. O’Hare mentia, distorcia, e omitia os fatos sobre as árvores, simplesmente porque elas apresentavam um risco ao seu negócio e ao seu poder.

Uma das coisas mais absurdas que vi ele dizer foi na cena do final do filme, quando Ted e sua família estavam prestes a cortar as árvores. Naquela hora, ele começou a soltar suas informações distorcidas sobre as árvores (e imagino que ele já tentasse convencer a população com esses mesmos argumentos a anos, e por isso todos tinham tanto pré-conceito com as ditas cujas), e eis o que eu achei o mais absurdo de todos: Pensem nas crianças”. 

Ele falou isso como se as crianças de Thneedvillefossem saudáveis e felizes, e as arvores fossem estragar isso. Só que assim né, as crianças NÃO estavam bemnaquela cidade. Nós vemos claramente um moleque que nadava na radiaçãoEle estava literalmente verde por causa disso, e o homem tem a cara de pau de dizer que a sustentabilidade ia fazer mal as crianças, quando é justamente o contrário. Se isso não é Fake News, eu não sei o que é. 

Ele também usa algumas formas menos escrachadas de manipulação, destacando as característicasconsideradas negativas das árvores, e omitindo as positivas. Você se lembra do choque das pessoas quando descobriram o que era fotossíntese? Claro, era de se esperar que o cara não incluísse ela nos seus discursos, mas ainda assim, como ninguém tinha essa informação? Os dados estavam sendo manipulados nessa cidade? (E uma única coisinha que não entendi: se ninguém lá sabia o que era fotossíntese, como a Audrey descobriu? Acho que isso pode ser uma falha no filme, mas também, quem mandou eu analisar seriamente um filme com um personagem chamado Umavez-ildo? Talvez eu que esteja exigindo um pouquinho demais mesmo).

Acredito que a empresa do O’hare esteja manipulando os dados que chegam a cidade de alguma forma, e por isso ninguém tinha ideia de que arvores são essenciais no processo de renovação do ar do planeta. Isso fica ainda mais claro quando vemos explicitamente uma cena sobre censura, quando Audrey encontra a parede em que pintou a floresta de trufulas com uma demão de tinta cinza e uma plaquinha onde a empresa do vilão assumia a responsabilidade.

Temos também a cena em que O’Hare manda seu funcionário dizer algo para salvar a pele do patrão caso não queira ser demitido aos sussurros, e 5 segundos depois solta “fala o que pensa”, para dar uma impressão de que o funcionário concorda com qualquer asneira que o vilão queria que ele falasse. Como se trata de um filme infantil e bobinho, o homem ignorou o risco de perder o emprego e expressou sua real opinião, a favor das árvores, mas não tenho muita certeza de que na vida real seria assim.

 

 

A semente da esperança

Vamos falar sobre a semente que Umavez-ildo dá a Ted para que ele tenha a chance de trazer as árvores de volta? Considerando todas as nossas expressões populares sobre “plantar uma semente” que se referem a apresentar uma ideia nova a uma pessoa, acho muito significativo que o objeto que Ted recebe seja uma semente. Como uma semente da esperança.

A semente encantou a todos que a viram, até mesmo a mãe, que acreditava em tantas mentiras depreciativas sobre arvores. Convenhamos, isso é bem irrealista. Mas vamos novamente dar um desconto, porque esse filme foi feito para crianças, e por isso não pode ser muito complexo de entender. Vamos apenas ignorar a lógica por um momento e focar em como isso é poético.

Cada pessoa que via a semente, tinha a semente da sustentabilidade plantada em seu cérebro. Cada cidadão da cidade de Thneedville teve a semente plantada não só na praça da cidade, mas dentro de si. 

E lembra quem foi a primeira pessoa que vimos segurar a semente depois que os ramos de arvore de trufula começaram a crescer? A avó. A avó “louca” que já viu um mundo onde árvores existiam normalmente, não teve a semente plantada dentro dela. Ela já tinha essa semente dentro de si a anos. O que aconteceu foi que asemente que existia dentro dela floresceu. A avó representa todas as gerações passadas se lembrando de uma maravilha perdida. Mas como o próprio O’Hare disse “A vovó já jogou, e agora é a sua vez”. O “jogo” não está mais nas mãos dela, mas na nova geração, de Ted e Audrey.

E já que falamos no nosso querido vilão da companhia de ar, outra coisa simbólica foi a decapitação da estátua dele, o que acabou sendo essencial para que fosse possível plantar a semente. Aquilo não foi só a destruição de uma estátua; foi a destruição da imagem de herói, se não de um deus, que o homem tinha na cidade. Parar de idolatrar as pessoas erradas também é um passo importante caso queiramos evoluir.

A última simbologia que eu vou mencionar aqui (afinal, esse comentário já está gigante), é a destruição dos muros de Thneedville. A destruição dos muros da prisão disfarçada de paraíso do primeiro tópico. Quando, assim como Ted no seu primeiro momento fora da cidade, todos os seus habitantes também saíram do transe, e perceberam que a cidade NÃO é perfeita. Todos perceberam que Thneedville precisa mudar.

 

E essa foi a análise de hoje, me desculpe se ficou enorme, mas acho que já deu para perceber que eu amo esse filme.... Claro, ele tem alguns defeitos, como a motivação do protagonista ser impressionar a menina, e não necessariamente a ideia de ser alguém mais sustentável. Ainda assim, essa obra marcou muito a minha infância, e as lições de sustentabilidade que ele nos trazsão importantíssimas. Você discorda de algo que eu disse ou tem algo a mais a acrescentar? Deixe aqui nos comentários do site ou do Insta! 



Laura