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sábado, 27 de fevereiro de 2021

FEITOS DE SOL

                 Feitos de Sol, de Vinícius Grossos, conta a história de Cícero, um adolescente de 15 anos em pleno anos 90, para ser mais específica, 1999. Cícero acredita que na virada do ano de 1999 para 2000, vai acontecer um bug do milênio; em que todos os computadores irão se descontrolar, e em meio dessa obsessão sobre a chegada do fim do mundo, ele conhece Vicente, um adolescente de sua idade. Juntos, eles irão criar novas lembranças antes que o mundo acabe.

                Esse livro com certeza está no top 3 melhores livros que eu já li, se não for o primeiro da lista. Eu já tinha um carinho pelo Vinícius Grossos por conta do seu livro 1 + 1 A Matemática do Amor. Mas este daqui o supera disparadamente, é simplesmente incrível. Os personagens, a história, a escrita, literalmente tudo.

                A começar que o Cícero é um nerd, e como ele conta a história, se prepare para várias, ou melhor, inúmeras referências a cultura pop. Falando ainda dele, eu me identifiquei tanto com o Cícero que eu consegui criar uma empatia imensa pelo rapaz logo nas primeiras páginas do livro. Vicente também não é um personagem de se jogar fora: ele é carismático, divertido e amável, foi impossível não se apaixonar por ele. A única personagem que não me agradou muito foi a amiga de Cícero, a Karol. Talvez porque ela não tenha uma utilidade maior do que levar o Cícero para fora de casa e incentivar o mesmo a achar o amor da sua vida, mas ela também é bem carismática.

            A história, do início ao fim, não perde sua fluidez. Normalmente perto do final, sempre há alguma parte que o protagonista viaja para algum lugar para aprender sobre a vida e eu costumo a achar essas partes mais entediantes, mas aqui não foi. Essa parte do “viajar para algum lugar” foi bem interessante e me fez amar outra personagem apresentada, que não posso contar quem é porque seria spoiler, mas a personagem é tão divertida que eu nem me importei com, o que normalmente seria, a queda da emoção. Feitos de Sol está constantemente na mesma velocidade.

            Todo o arco do Vicente, por assim dizer para não dar spoiler, traz uma mensagem extremamente profunda e tocante que até me fez chorar. Falando a verdade, lá pelo final do livro, eu precisei parar de ler porque eu estava chorando tanto que nem conseguia enxergar as palavras. Feitos de Sol desde o início, com o Vinícius Grossos contando qual foi sua inspiração para escrever o livro, transmite uma mensagem muito bonita e tocante que é quase impossível não se emocionar. Ele conta que todos vamos encontrar um sol em alguém e, se encontrarmos, temos que tornar essa pessoa o nosso sol: uma pessoa essencial para a nossa vida.

                Eu escrevi isso tudo e mesmo assim não consegui explicar o tanto que eu amo esse livro. Eu me segurei muito para não soltar spoilers, e eu com certeza conseguiria escrever por horas e horas sobre esse livro, mas acho que está na hora de parar. Vinícius Grossos, obrigada por ter escrito esse livro tão maravilhoso, e espero a todos que futuramente lerem esse livro: espero que vocês encontrem o sol de vocês.

Júlia



sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

DESENHOS DE GUERRA E DE AMOR

       Mais um livro no estilo de diário, mas esse se passa dentro de uma van escolar. Desenhos de guerra e de amor, para mim, renova os livros de diário, trazendo duas perspectivas de lados de uma história de uma forma bem diferente da qual estamos acostumados.

      Primeiramente, conhecemos o Gabriel, que com o seu método LSELVM (Lopes Silva de Escrita Legível em Veículos em Movimento), escreve em um caderno quadriculado coisas sobre sua família ou que vão acontecendo na van em geral, enquanto está a caminho ou na volta da escola. Um garoto um tanto explosivo, que adorava apelidar os colegas, sem que eles soubessem, se assim podemos dizer, falar mal de algumas várias pessoas e desenhar

       Pouco tempo depois conhecemos a Isabel, uma nova menina a frequentar a van, e que também começa a escrever em seu caderno. Ela diferente do garoto, sempre escreve mais sobre sua vida, tanto escolar, quanto pessoal, e também o que pensa e devaneios alheios que lhe ocorrem no momento. 

     Bom importante destacar: Isabel é um pouquinho apaixonada por Gabriel, sentimento que vemos não ser nem um pouco recíproco. Apesar disso, vemos a relação entre eles, e deles com o que acontecem de uma forma bem dinâmica.

 Amo a forma como diferenciam os dois diários, tanto pelo estilo de página, quanto pela escrita, além disso, as páginas formam um par, assim em um dia a gente vê o q cada um escreveu, ou deixou de escrever, simplesmente pela posição das páginas, o que eu acho extremamente legal. A história é extremamente cativante, engraçada, e ao mesmo tempo bonita, e o final é maravilhoso. Durante a história nós lemos coisas inesperadas, e amo ver a evolução e empatia que eles criam durante o tempo que convivem.

Essa é a resenha de hoje, espero que gostem desse livrinho, e deixem o que vocês acharam aqui nos comentários!!

Isabella

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

1 + 1 A MATEMÁTICA DO AMOR

1 + 1 A Matemática do Amor conta a história de Lucas e Bernardo, dois amigos desde a infância que vão ter que se separar por causa da nova oportunidade de trabalho do pai do Bernardo, em Portugal. Como os dois estão nas férias de verão, Lucas e Bernardo dedicam esse tempo para passarem juntos, fazer novas lembranças antes do amigo partir e, até, descobrir um sentimento amais que um tem pelo outro: o amor.

Esse livro simplesmente derreteu meu coração. Os dois autores, Augusto Alvarenga e Vinicius Grossos, fizeram um ótimo trabalho escrevendo o livro. A obra é narrada de dois pontos de vista, alternando os capítulos: um capítulo a história é contada pelo Lucas, outro capítulo é pelo Bernardo e assim segue o ciclo. Esse artifício ajuda na hora de entender como cada um dos amigos reage ao fato que Bernardo vai ter que ir embora e precisam aproveitar o máximo.

Uma coisa que 1 + 1 A Matemática do Amor conseguiu fazer muito bem foi o fato de me agradar nos clichês. Sou uma pessoa que sinceramente não gosta de clichês, mas esse livro conseguiu não fazer eu odiar esses clichês, pelo contrário, essas são as partes que eu mais amo. Se eu que não sou fã dessas cenas consegui me alegrar, pode funcionar com qualquer outro.

Você vai acompanhando toda a trajetória do Lucas e do Bernardo e vai se apaixonando por eles e pela história deles. O que eu mais gosto dessa obra é, com certeza, o romance, porque eles tratam sobre esse sentimento do jeito mais puro: o amor é lindo, mas é claro que vamos enfrentar momentos difíceis entre nós. O livro não diz que o amor é só brilhos, ele fala que esse sentimento pode doer da pior forma possível às vezes. Por ser um romance LGBT, em certo ponto da narrativa, eles vão tratar do assunto homofobia. Conhecendo o histórico de livros do Vinicius Grossos, não me surpreendi de como eles trataram esse assunto: da maneira correta, sem exageros e sem esconder nada.

Só tem uma coisa que não me agradou muito: em certa parte do livro, a história acabou perdendo o ritmo. Paria que tudo estava indo a mil por hora e do nada alguém freou, o que me deixou meio decepcionada, porque eu estava gostando do fluxo que estava antes. Mas felizmente essa parte passa e volta ao ritmo original, dando até nas últimas páginas o sabor da escrita do Augustos e do Vinicius.

1 + 1 A Matemática do Amor é um livro divertido, clichê, por assim dizer, e fofo. Não é demorado de se ler, já que a história e é bem fluída e gostosinha e é o livro perfeito para você que quer esquentar o coração com um romance. Vinicius Grossos e Augusto Alvarenga, vocês escreveram muito bem o meu romance favorito.


Julia






domingo, 27 de dezembro de 2020

LIVROS NACIONAIS QUE ME MARCARAM

    No comentário de hoje, eu quero fazer uma lista sobre os livros nacionais que mais me marcaram. Eu vou dar um breve resumo do livro e depois eu vou falar porque ele me marcou. Podemos começar essa lista com o:

    Tudo por um pop star, Thalita Rebouças

    Sendo o primeiro livro da coleção, Tudo por um pop star conta a história das amigas Manu, Gabi e Ritinha que estão animadas com a chegada dos Slavabody Disco Disco Boys, a banda favorita das três. O grupo de amigas vai até o Rio de Janeiro para que elas pudessem ver o show de sua banda preferida, mas acabam se metendo em várias confusões.

    Por que esse livro me marcou? Bem, primeiramente me marcou porque foi o primeiro filme que eu quebrei a minha regra básica: se tem livro, primeiro lê depois vê o filme. Só depois que eu vi o filme no cinema eu fui ler o livro, e isso em parte me marcou. Segundo foi porque eu aprendi com esse livro o significado de amizade e que o fascínio por um cantor ou uma banda pode levar você a fazer literalmente tudo por um pop star. É um motivo meio besta, mas me marcou e é isso que importa.

    Dom Casmurro, Machado de Assis

    Esse livro tem resenha no nosso site mas eu me disponho a falar dele mesmo assim. Dom Casmurro conta a história de Bentinho, carinhosamente apelidado de Dom Casmurro, que sofre de amor por Capitu, uma jovem que mora ao lado de sua casa. O tempo vai passando, a história vai se prosseguindo e junto com Bentinho, o narrador da história, a gente vai se perguntado se Capitu traiu ou não traiu o homem.

    Esse livro me marcou porque foi o primeiro livro clássico nacional que eu li. Além de me fazer questionar muito sobre como o vocabulário português era difícil naquela época, o livro me apresentou personagens difíceis de se esquecer, como a própria Capitu e o melhor amigo de Bentinho, o Escobar. Sinceramente me arrependo de ter lido esse clássico tão cedo, porque se eu tivesse lido mais velha, poderia fazer questionamentos mais reflexivos do que só o “Traiu ou não traiu?”.

    1+1 A Matemática do Amor, Augusto Alvarenga e Vinicius Grossos

    1+1 A Matemática do Amor conta a história de Lucas e Bernardo, dois amigos inseparáveis desde a infância que terão que se separar por conta do novo emprego do pai do Bernardo, em Portugal. Enquanto eles passam o tempo que podem juntos antes da mudança, eles descobrem que o que eles tinham um pelo outro era mais que simples amizade.

    O simples motivo desse livro me marcar foi que ele foi o primeiro livro LGBT que eu li na minha vida e, como se essa marcação não fosse suficiente o bastante, foi o primeiro livro que eu li que realmente mostrava o romance da forma nua e crua. Claro que eu já tinha lido livros de romance antes, mas esse me pareceu mais real. Lucas e Bernardo brigam entre si, mas fazem as pazes e não deixam de amar um ao outro, isso que me deixou mais tocada e me fez chorar, sim, eu chorei, em alguns momentos desse livro.


    Eu acho que está bom por aqui. Claro que há vários outros livros nacionais que eu gosto e amo de paixão, mas esses foram o que mais me marcaram então por isso que estão aqui. Qual livro nacional mais te marcou?

Júlia Liranço Sanches





sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

A PRINCESA ADORMECIDA


O livro A Princesa Adormecida, de Paula Pimenta, conta a história Áurea, uma garota que foi raptada quando ainda tinha 9 meses, porém ela foi salva e acaba se tornando famosa por esse acontecimento. Quando já está mais velha e mora em um internato e sobre a guarda de seus tios super protetores, porém tudo vira do avesso quando Áurea conhece um garoto e uma festa. Áurea agora precisa enfrentar em sua vida chata um príncipe encantado, seus tios e uma mulher malvada que quer porém risco a vida da garota a qualquer custo.

Achou que o resumo da história ficou muito parecido com o conto A Bela Adormecida? Pois sabia que foi essa a intenção. Paula Pimenta escreveu toda essa história com o intuito que parecesse o conto da Bela Adormecida porém nos tempos atuais. Várias partes da trama são parecidíssimas com o conto clássico que conhecemos, como o fato de, como visto no início do livro, não é um spoiler, a garota ter sido raptada no dia do casamento de seus pais, quando a mesma tinha apenas 9 meses, se parecendo muito com o batizado da pequena Aurora, aonde a Malévola chega e lança uma maldição sobre a pequena.

Em contra partida, há algumas partes que obviamente não estão no conto original por se tratar dos tempos atuais, como o fato do “príncipe encantado” de Áurea conversarem por mensagem. E é esse um ponto que me faz gostar do livro: troca de mensagens. A Paula Pimenta gosta de colocar mensagens de texto nos seus livros e eu gosto muito disso, porque eu acho que dá um toque mais realista para a obra.

Os personagens são muito bem desenvolvidos e são fáceis de se ter empatia, como por exemplo a Áurea, que você sente pena por todos os males que acontecem inconscientemente com a garota. Já outros personagens conseguem te deixar com muita raiva, mesmo que esse seja o propósito deles. A “malévola” dessa história é muito fácil de odiar e isso é um ponto bom, ninguém quer um vilão amável. Porém alguns personagens, pelo menos para mim, falharam ao tentar simpatizar. Os pais da Áurea são pouco desenvolvidos e por isso não consegui me importar muito com eles.

A história em si é muito bem desenvolvida, ela é muito fluida, fazendo assim que a gente, por exemplo, não pare de ler o livro porque ele ficou entediante. Lá pelo final, há um acontecimento muito marcante que me fez pular da cadeira de tão repentino que apareceu. Porém há uma coisa que não me agradou: o plot twist. Pelo menos para mim, desde o início eu já havia entendido o que estava acontecendo então não me surpreendeu naquela hora, mas não é um plot twist ruim, ele só é óbvio demais.

A Princesa Adormecida é um livro divertido que não é difícil de se ler, podendo até ser um livro para ler quando não tiver nada para fazer. Paula Pimenta arrasou, mais uma vez, na hora de escrever um romance.



Júlia Liranço Sanches




terça-feira, 29 de setembro de 2020

CÉU SEM ESTRELAS

             Céu sem Estrelas da Iris Figueiredo é um livro nacional incrível, com uma narrativa fluída, que aborda temas muito importantes principalmente para os jovens de uma forma delicada e leve. Essa obra é emocionante a cada virar de página, é impossível não se conectar com os personagens.

            A história gira em torno de Cecília, uma garota que acaba de completar 18 anos e como presente de aniversário é demitida da livraria na qual trabalhava. Sua vida não está nem um pouco fácil, além da demissão a menina tem uma briga terrível com a mãe narcisista. As duas já tinham uma relação conturbada, pois sua mãe dá mais valor ao namorado do que a ela.  Após essa discussão decisiva, ela decide passar um tempo na casa de sua melhor amiga, Iasmin.

            Ao ir morar na casa de Iasmin temporariamente, Cecília se aproxima de Bernardo, irmão de sua BFF e seu crush. Com o passar dos dias, os dois desenvolvem um relacionamento que é “escondido”. Ambos têm suas próprias inseguranças e medos, e terão que descobrir se estão prontos para se comprometer um com o outro. 

            O livro intercala entre o ponto de vista de Cecília e Bernardo, os protagonistas dessa história de superação, que carrega uma mensagem muito importante. Com essa narrativa intercalada conseguimos conhecer muito bem os dois, seus medos, inseguranças, traumas, como se sentem na presença um do outro e principalmente como se ajudam em momentos difíceis.

            O mais impressionante da obra é como os personagens são reais. É muito fácil se identificar com eles. Bernardo, por exemplo, tem dificuldades ao se comprometer em uma relação, por ter relacionamentos anteriores frustrados. Ele também tem certos problemas relacionados a amizade, algo muito comum entre adolescentes.

            Cecília é uma das minhas personagens favoritas, é impossível não se conectar com suas dores. Ela é incrivelmente forte, porém no início da obra ainda não conhece sua força. A protagonista passa por algo muito difícil e comum entre meninas: ela não aceita o próprio corpo, tendo inseguranças relacionadas ao seu peso. Ela é linda, mas não tem um corpo de modelo da Victoria’s Secret. Cecília não tem o peso que a sociedade exige que ela tenha.

 

            Além de não gostar do próprio corpo, a protagonista tem diversos problemas familiares o que a leva a uma espiral de pensamentos ruins, levando a ter crises de pânico e depressão. O livro traz uma lição muito importante relacionada à saúde mental, abordando o assunto de maneira delicada e sensível.   

O livro traz bastante representatividade, o que é um ponto muito positivo, também mostra os inúmeros preconceitos presentes na sociedade brasileira. A autora mostra como as pessoas são parecidas e diferentes ao mesmo tempo, como cada uma lida com as situações da vida, as dificuldades e inseguranças de forma diferentes e isso é incrivelmente normal. Não há nada de errado nisso, cada um tem seu tempo. Pode se perceber isso muito bem na relação da Cecília com a Iasmin.

A obra ensina como as palavras têm peso, como elas carregam história e que por trás daquele sorriso tem uma ferida por isso devemos respeitar e amar o próximo e pensar antes de falar, porque podemos machucar alguém sem querer, porém, ainda estamos contribuindo para a ferida de alguém. É necessário se colocar no lugar do outro e oferecer amor, não dor. Essa obra serve para refletir sobre muita coisa.

Esse livro deveria ser obrigatória para todos os adolescentes, pois mostra de forma clara que o que os dramas e exageros da adolescência  devem ser levados a sério, e sempre temos que ter empatia e estender a mão para aquela pessoa que sente dor, medo e problemas de autoestima porque não é só mimimi. 

Essa é a indicação de hoje, um livro que o leitor aproveita cada página e sente aquela dor quando termina. Uma obra que acalma a alma, mostra como somos frágeis, sentimos dor e como cada um leva seu tempo para curar as feridas. Mostra a verdadeira face do se humano, um livro 5 estrelas. Uma história incrível, e que amo. 


Vitória